{One Post} Resgate ou caçada?

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{One Post} Resgate ou caçada?

Mensagem por Convidado em Dom Mar 29, 2015 11:03 pm

1. Narração


Acampamento Meio-Sangue


O sol dava lugar à lua no céu daquele dia nada convencional. O acampamento estava movimento, mais do que o de costume, bem mais. Uma mulher e um homem se destacavam mediante aos novos rostos, eram eles Ártemis e Héracles, respectivamente.

– Seus brutamontes atacaram minha donzela. O que estavam fazendo lá? Em? É perseguição, só pode ser. - A irmã de Apolo atacava o outro deus.

– Para de se achar tão importante, suas menininhas não são nada para mim ou para os meus homens, estávamos trabalhando, já disse. -  Héracles respondia com uma voz forte e já demonstrando querer briga.

– PAREM! – A voz de Dionísio fez a discussão terminar. Estava gritando há horas e ainda não haviam dito nada com nada, só sabiam brigar, implicar um com o outro. – O que exatamente aconteceu? – A explicação veio. A face dos presentes demonstrava preocupação. Alguma coisa havia atacado aqueles dois exímios caçadores de tal forma que nenhum deles, mesmo estando sozinhos, afastados de seus grupos, conseguisse escapar.

Quíron havia pedido para chamarem o protegido de Héstia, tinha uma missão para o garoto, e era urgente, uma Caçadora e um Guerreiro haviam desaparecido quando, por algum motivo, estavam caçando próximos à mesma área. Estavam no Brasil, no Pantanal. Elas caçavam uma família de Dragonetes e eles, a uma Quimera. Ambos sumiram, os rastros foram semelhantes, apenas marcas dos corpos dos semideuses, nenhum sinal de inimigo.

– Precisamos de você, meu jovem. Dois importantes caçadores desapareceram no Brasil. Você será acompanhado pelos seguidores desses dois deuses até chegar ao local indicado. É importante ressaltar para que tome cuidado, o terreno é traiçoeiro.

Pantanal - Brasil

Ele e ela estavam encostados um ao outro. Ambos encontravam-se desacordados. Pareciam estar em uma gruta, não, não era uma gruta, era algum lugar no subsolo. Insetos estavam por todas as partes, eram de todos os tamanhos possíveis, alguns outros animais também estavam presentes, como minhocas e cobras, porém em menor quantidade. O ar era pesado, respirar ali embaixo seria cada vez mais difícil, pouca claridade entrava, as fendas eram grandes (afinal as criaturas entraram por elas enquanto carregavam suas futuras refeições), porém não o suficiente para iluminar todo o local.
2. Off-Game

-> 72 horas para postar
-> Armas levadas em spoiler.
-> Poderes usados também em spoiler, mas separe os ativos dos passivos.
-> Narre desde o recebimento até o retorno ao acampamento.
-> O responsável pelo desaparecimento é Aranha Saltimorte, são quatro delas.
-> O local é o Pantanal, como já foi dito. O clima é quente e seco.
-> Leve em conta  que ambos os grupos apresentam rivalidades entre si, então...

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Re: {One Post} Resgate ou caçada?

Mensagem por Richard N. Rider em Qui Abr 02, 2015 7:20 pm

RESGATE OU CAÇADA?
RICHARD RIDER, O NOVA + Anna Marie, Bruno

— Precisamos de você, meu jovem. Dois importantes caçadores desapareceram no Brasil. Você será acompanhado pelos seguidores desses dois deuses até chegar ao local indicado. É importante ressaltar para que tome cuidado, o terreno é traiçoeiro.

— Ok — mastiguei meu misto quente uns dois segundos, e respondi. Eu iria dizer o que? Ah, não, tenho outros planos. Não que eu fosse contra a missão – ou missões, em geral. O problema é que já estava me preparando para ir para Nova Iorque – uma escapadinha rápida, pretendia voltar o mais cedo possível para o conforto do Acampamento.

— Então esteja na Árvore de Thalia em dez minutos, Argos levará você e os outros até o transporte providenciado pelos deuses.

— O q- Que? — perguntei, surpreso, engasgando com meu pão. Do meu ponto de vista, a missão seria de manhã – afinal, a lua já estava no alto. E, aliais, de que deuses ele estava falando? Na sala, estavam Quíron, um rapaz forte e anormalmente alto – ele devia ter algo em torno de um metro e noventa centímetros -, um lutador de MMA – ou talvez um fisiculturista -, uma garota – cabelos castanhos, com uma única mecha branca que ia do couro até as pontas – e sua irmã – criança bonitinha, mas o que ela estava fazendo ali?

— Hércules e Ártemis providenciaram o transporte.

— Não é isso... — respondi, enquanto virava para Quíron. Pausa. Hércules era fácil – o gigante guerreiro Damião ali do lado -, mas e Ártemis? A garota fazendo cosplay de Vampira era bonita, sem dúvidas, mas não era uma deusa. Ou era? — É que já é noite. Não seria melhor esperar até amanhecer?

— Não há tempo a se perder. Mesmo viajando agora, vocês só vão chegar no local amanhã pela manhã.

— E… Para onde vamos?

— Brasil. — Grande país, morei lá por um tempo.


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— Admito que é bem surpreendente — eu comentei, tirando a mochila das costas e tentando iniciar uma conversa com a garota — Que as caçadoras tenham um avião próprio.

E, vendo que eu não receberia atenção nenhuma, o garoto – o tal “guerreiro de Hércules” – caiu na gargalhada: — Nem tente! — ele falou alto, em meio às risadas — As caçadoras são pudicas demais, o máximo de flerte que vai conseguir delas é- — Na verdade, nem imagino como ele iria terminar a frase. Só sei que o que o impediu foi uma faca – uma faca de arremesso, acho eu – que a garota lançou.

Ah, aliais, estávamos na van de Argos, indo para seja-lá onde estivesse o avião que nos levaria ao Brasil.

— Ei! Vamos manter o carro inteiro, sou eu que tenho que voltar pro acampamento depois dessa missão! — reclamei, assustado, ao ver a faca cravando no banco ao lado do guerreiro.

— Então o brutamontes vai ficar calado. Ou não vou errar da próxima vez.

— Pode vir. Não é como se você pudesse me machucar. — Ai eu senti a coisa ficando preta. Depois de fazer sua piada, o guerreiro deitou nos assentos. Só de deboche. Dava pra sentir a raiva da caçadora – ela acumulava muita raiva, por sinal. Saltei do meu banco, parando em frente à ela:

— Ah, nós não nos cumprimentamos ainda. — eu falei, forçando um sorriso. Bem que Quíron podia ter mandado outra pessoa pra missão, alguém com um jogo de cintura melhor. — Sou Richard Rider. — e estiquei a mão. Nada aconteceu por alguns segundos – ainda parecia estar com raiva -, até que ela virou o rosto, voltando à sua leitura – eu não havia mencionado que ela estava lendo?

— Fica tranquilo, cara. Ela não ia me atacar. — comentou o guerreiro, levantando e dando dois tapinhas das minhas costas – tapinhas esses, que quase me jogaram no chão. “Ia sim”, pensei, enquanto me virava — Vamos achar meu companheiro rápido, a tempo de passar em algum lugar pra beber na volta! — ele comentou, me cumprimentando – lê-se esmagando minha mão.

— Você não parece ter vinte-e-um. — comentei aleatoriamente, só para que ele parasse de quebrar meus ossos da mão.

— Há! — ele disse, soltando seu peso no banco com um sorriso no rosto. “Ok, estou em uma missão com uma dupla de esquisitos que se odeiam.”, concluí com meus pensamentos, enquanto voltava ao meu assento.


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— Qual dos dois é deus da aviação? — brinquei, me referindo à Ártemis e Hércules, ao ver a aeronave que nos foi cedida. Eu esperava algo como um teco-teco, não aquele avião do Capitão América 2.

— Vários devem favores à deusa. — Foi a primeira vez que ela havia falado. Vai ver ela estava mais relaxada.

— Hércules não. Ele não depende de menininhas. — E… Lá vai a harmonia. Voltamos à programação normal.

— Alguma coisa me diz que você só sabe falar. — ela levantou a voz, parando e encarando o guerreiro.

— Tem certeza? Pode vir! Tenho que esticar os músculos, de qualquer jeito!

— Nunca que eu precisaria de homens para completar a missão. Você não vai fazer falta! — Por sorte, antes que os dois saíssem no braço, o nosso “piloto” apareceu na porta do avião, indicando para que entrássemos. Ah, porque as aspas no piloto? Bom, ele não estava vivo. O espaço dentro do avião era relativamente grande – aparentemente, ele havia sido feito para comportar bem mais que três pessoas. Nas laterais, vários assentos, cada qual com um cinto em formato de “x” – lembra alguma coisa, não?

— Já vi um desses antes… — comentou o guerreiro, logo depois que o piloto havia terminado de nos instruir quanto ao plano de vôo.

— É um zumbi, idiota. — disse a caçadora — Muitos deuses devem favores à deusa, inclusive Ares. Esse aeroplano e o piloto devem ser antigos soldados que morreram em momentos de guerra.

— Claro que chegaria nessa conclusão! Não é porque não fico—

— É. Muito legal, muito batuta, muito divertido, mas eu tenho que dormir um pouco. — falei, expandindo minha aura de paz para interromper a briga — Vamos tentar manter esse avião de pé até amanhã, tudo bem? — E soltei o peso do corpo em um dos assentos, fechando o cinto e encostando a cabeça em um travesseiro improvisado.


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— Rápido! — gritou a caçadora, do lado de fora do avião. Eu estava – não ria, você ai do lado – trocando de roupa. Sim, estava trocando de roupa. Olha, vou te mandar a real: saí de noite do Acampamento, e estava frio. Não iria ficar perambulando por fazendas sub-tropicais de camisa e calça jeans. Bermudas, digo eu, bermudas funcionam muito melhor. Experiência própria.

— Calma, calma. Estou pronto. — disse, já saindo do avião com a mochila nas costas. — Vocês nunca levam nada consigo?

— Minhas armas… E só. — ele disse, repousando a mão sobre uma caixa – que eu, primeiramente, não havia visto – de metal que estava ao lado de seu pé. “Muitas armas, por sinal”, eu constatei, ao perceber que a caixa era ainda maior que minha mochila de acampamento.

— O que eu precisar, a caçada irá prover. — Sim, muito filosófico. Realmente, o que essa garota tinha de bonita, tinha também de esquisita.

— Aliais, eu ainda não sei o nom-

— <O que cêis tão fazendo aqui!?> — gritou um fazendeiro, em português, correndo na nossa direção com uma espingarda. Rapidamente ergui os braços, andando na direção dele devagar.

— <Não precisar se procurar, senhor. Sermos pesquisadores.> — Eu respondi, em português. Sim, meu português – ainda nessa época – era deplorável. Os poucos meses que passei em São Paulo não foram suficientes para que eu me adaptasse muito bem. Mas, de qualquer maneira, alguém tinha que fazer alguma coisa. Puxei do bolso minha carteira de motorista, passando uma camada de névoa nela, para que assumisse uma forma – seja lá qual fosse – que confirmasse o que eu dizia.

— <Que jeito esquisito de falá é esse? Cêis são americanos?> — perguntou o fazendeiro, ainda apontando a espingarda. Eu já estava a meio caminho de improvisar algo com a minha versão da língua, mas o guerreiro me impediu.

— <Somos pesquisadores. Meus colegas e eu temos autorização, e o senhor será bem recompensado. Não continuaremos nas suas terras por muito mais tempo.> — completou o guerreiro, em português fluente.


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— Português fluente!? — eu falei surpreso, enquanto andávamos pela fazenda, a procura de pistas. Mas, sério, o português dele era impecável. É um idioma muito complexo, e, ainda assim, não conseguia achar diferença significativa entre o dele e o do fazendeiro – com exceção do sotaque.

— É que vocês, americanos, partem do princípio de que todo semideus é dos Estados Unidos. Eu sou brasileiro.

— Brasileiro!?

— Vai, essa é fácil. Aqui é uma missão no Brasil.

— Quer dizer que — me virei na direção da caçadora — Você também é brasileira?

— Não. — ela respondeu, e eu voltei na direção do guerreiro.

— Meu nome. É claramente brasileiro. — ele afirmou, dando de ombros.

— Eu nem mesmo sei o nome de vocês! — falei, indignado. Naquele momento, eu pretendia discorrer todas as reclamações que eu tinha sobre essa missão, mas algo me parou. Eu ouvi um aviso, não em palavras, mas em sons. — Vocês ouviram isso?

— Ãhn? Não ouvi nada

— Esse som… — falou a caçadora, se abaixando — É de… Aranha! — gritou a moça.

Imediatamente, um buraco surgiu no terreno de grama baixa, e uma aranha gigantesca saltou dele. Mal era possível identificar o formato de aranha, tamanho absurdo que isso significava para mim. Afinal, aranhas não são gigantes. Não em um mundo correto. Mas, claro, o mundo dos deuses tem suas peculiaridades.

Outra vez, ouvi o som. Só que agora, parecia mais audível, como um assovio. De alguma maneira, eu conseguia colocar sentido nesse assovio – era como se ele fosse uma palavra, como se alguém gritasse “Cuidado!” ou “Atenção!”. Voltei minha atenção à aranha – que parecia cair de seu salto na direção da caçadora.
— Cuidado! — gritei para a moça, correndo em sua direção. “Seria mais fácil se eu soubesse o nome dela!”, pensei.

Quando a aranha estava próximo o suficiente para atingi-la, a garota executou um rolamento para trás, logo levantando e sacando sua faca. Quando ela fazia menção de atacar a criatura-aranha, me interpus, ficando entre ela e a besta.

— Não. Só se afastem, a aranha não pode me atacar.

— De jeito nenhum! Essa criatura pode ser a responsável pelo desaparecimento! — ela gritou, tentando me tirar da frente, me puxando pelo ombro. De imediato toquei seu braço, adulterando suas emoções, para que ela se acalmasse.

— Nenhuma criatura viva pode me atacar primeiro. Porém, se você ataca-la e quebrar romper essa frágil paz, nunca vamos saber o que aconteceu com sua companheira. — e soltei seu braço, ao perceber que os sentimentos que injetei já estavam fazendo efeito. Continuei, durante todo o tempo, olhando para a aranha. Ela permanecia parada, na minha frente, movimentando as presas. Era complicado de traduzir suas emoções para um padrão que eu entendesse. Ela, muito bem, poderia estar com fome ou com vontade de tirar uma soneca. — Vamos esperar que ela se canse, e então volte para seu covil.

— E depois?

— Ai, é contigo. Você não tem, sei lá, skills de rastreamento? — perguntei, erguendo os braços. A aranha estava obstinada em continuar ali. Minha aura de paz poderia ser perturbada à qualquer momento, se o fazendeiro aparecesse e fosse – de alguma maneira – ameaça à criatura. — Aliais, eu consigo sentir sua adrenalina daqui, guerreiro. Se nossa aranha aqui lembrar que você existe, a aura de paz se quebra e eu sou o primeiro a ir junto. Então vamos, por favor, ficar todos calmos.


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Nós havíamos chegado ao Pantanal no início da tarde. Andamos por alguns minutos, cobrindo o caminho que os companheiros poderiam ter passado, até que encontramos uma aranha colossal. A partir disso, eu tinha um plano simples, meio que improvisado: esperar a aranha se cansar, e depois segui-la. Claro, o que eu não esperava, é que essa aranha fosse tão rápida.

Permaneci contendo a aranha por mais alguns minutos, até que ela decidiu ir embora. Foi bizarra a maneira como ela se movimentou, abrindo e fechando freneticamente as presas, balançando as pernas – ou patas, ou membros, sejá lá como for. Ela foi embora rápido, adentrando a região da fazenda com as altas gramíneas.

— Rápido! — gritou a caçadora, correndo na direção da criatura — Por enquanto, temos que segui-la! — ela completou, sibilando um forte assovio ao final.

Nossa corrida se manteve por mais alguns minutos, até que uma estranha ave apareceu – ela tenha pernas altas, pescoço nú e preto e papo vermelho. “— Um jabiru”, falou o guerreiro. É a ave-símbolo da região pantaneira, e seu habitat costumeiro eram as margens de rios. Alguns segundos depois, diminuímos o ritmo – passando a andar. De acordo com a caçadora, a ave rastrearia a aranha a partir dalí.

Continuamos nossa caçada andando – acompanhando o tal jabiru. A caçadora estava na frente, depois o guerreiro, e eu estava mais afastando, fuçando minha mochila por uma barra de chocolate – que, no final, estava derretida. Achei uma caixa de Tic-Tac, pegando uma pastilha.

— Vão querer? — ofereci aos meus companheiros.

— Sim — respondeu o guerreiro, e o guerreiro somente. A caçadora continuava com sua cara-amarrada habitual.

— Ta ai. — e joguei a caixa para ele — Você sabe porque o Quíron me mandou com vocês, não? — Eu estava pensando sobre isso desde encontramos a aranha. O diretor de atividades poderia ter enviado um rastreador, um lutador – ou até mesmo nenhum desses, já que a caçadora e o guerreiro desempenhariam muito bem essas funções -, mas ele enviou um diplomata.

— Claro que sei! Você é um guerreiro! — ele falou, desacelerando e dando um tapa nas minhas costas.

— Claro, claro… — respondi, recolhendo a caixa e sacando outra pastilha. Continuamos a caminhada, saindo da região de grama alta e adentrando no pasto dos bois. Era possível vê-los ao longe, no limite do horizonte, quase escondidos pelas ondulações do terreno. Nada parecia fora do comum – onde estariam os dragonetes ou a tal… O que era mesmo? — O que o guerreiro perdido veio buscar aqui?

— Uma quimera. — ele respondeu, ajeitando sua caixa nas costas —  Eu estava em uma missão em Los Angeles, então não pude vir caçar a besta. Se as coisas fossem diferentes, eu estaria perdido. — Los Angeles? Curiosa coincidência…

— Bom, vamos nos esforçar para resgata-los.

— Não pense que pode ser tão fácil. Aranhas Saltimore podem andar em bandos.

— Aranhas Saltimore?! — começou o guerreiro — Existem dezenas de tipos de aranhas gigantes, o que te faz pensar que é uma saltimore?

— Obviamente é uma saltimore. Se você fosse um pouco mais inteligente, saberia.

— Ah, então agora eu sou burro. E só porque anda por ai, segurando na barra da saia da deusa da caça, você agora é a nova Bear Grylls?

— O que raios um urso tem haver com isso? Ah, é mesmo. — e ela se exaltou, sacando a faca. — Você não sabe. Um neandertal só sabe usar a força!

— Pessoal…

— Você realmente quer que eu use a força! — ele respondeu, bravo, soltando a caixa no chao. — Porque eu já cansei de você!

Eu imaginei que as coisas dariam muito errado quando ele começou a marchar na direção dela. Novamente eu ouvi os sons na minha cabeça. Será que era uma outra forma de empatia se manifestando? De qualquer maneira, a situação do “time” era mais urgente. Do tipo muito mais urgentes, porque eles estavam a ponto de fatiar um ao outro.

— Ok! Já deu! — eu gritei, expandindo minha aura de paz. — Se eu tiver que parar a briga de você de cinco em cinco minutos, vou ficar maluco! — continuei, enquanto eles relaxavam os músculos, mas continuavam se encarando. Decidi ir até os dois, colocando uma mão no ombro de cada um — Foda-se a sutileza.

Logo que encostei neles, coloquei meus poderes empáticos para trabalhar. Inseri um “coquetel emocional” muito específico, mas muito simples. Uma mistura de compaixão, amor e esperança. — Vocês estão aqui, batendo boca. Seus amigos estão lá, provavelmente lutando pela vida! O que vocês acham? que se matar aqui vai resolver o problema? Não vai, porra! — E, pra finalizar, joguei um bocado de medo. Tipo, um caminhão – ia sumir logo, mas o importante era o impacto que isso ia causar — Estão sentindo isso? Sou eu, zoando suas cabeças. Eu poderia fazer isso o resto da missão, apartando as discussões e deixando vocês catatônicos pro resto da vida. Vou fazer? Não! Porque isso é um saco! Então, parem de brigar! — e gritei – ou berrei, depende da sua definição -, me afastando e quebrando a região de paz.

Não é que eu estivesse super puto da vida, muito era encenação, para funcionar bem com o “coquetel emocional”. Mas, não se engane, eu estava irritado. Meu cérebro é como uma esponja de emoções, então sempre que eles começavam a discutir eu “engolia” parte da raiva deles. E ela não era nada agradável.


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Caminhamos por mais alguns minutos, em um completo silêncio constrangedor. Claro, menos constrangedor para mim – que conseguia sentir a vergonha dos outros dois. Só paramos quando o jabiru – isso, a ave-símbolo do Pantanal – desceu até a caçadora. Ela puxou alguma coisa de seu cinto, e entregou à ave – comida, talvez – que alçou vôo, provavelmente voltando para sua “casa”.

— Eu gostaria de pedir… — Sério, aquilo pareceu doloroso pra ela — Desculpas. Pelo meu comportamento. O resgate deveria ser mais importante, independente de qualquer coisa.

— Tudo bem. — eu falei, percebendo que o guerreiro não havia dito nada. Dei uma “acenada de cabeça” na sua direção, para que ele se desculpasse.

— É, eu também agi como um babaca. — Cara, que bizarro. Eu parecia meu pai quando arranjava encrenca com alguma criança. Só faltava eu começar a falar das estrelas, por ai. — A maior parte das provocações veio de mim, de qualquer jeito. — notei um pequeno desconforto vindo da caçadora, quando ele falou “a maior parte”.

— Bom, perdão por ter… — Na real, eu não tinha feito nada errado. Fui, basicamente, um companheiro gente boa a viagem inteira. Então só inventei alguma coisa no final, pra não ficar com a imagem de “paizão” – isso estava me matando. — Mexido com a cabeça de vocês.

— O jabiru voltou, quer dizer que o covil das aranhas deve ser mais a frente. — A caçadora continuou, depois alguns segundos de silêncio estranho – outra vez — Porém, não tenho a localização exata. Vou tentar localizar uma entrada, enquanto vocês se preparam.

Acenei com a cabeça – dizendo sim -, e devo confessar que esperava mais resistência do guerreiro. Mas, acho que entendo o porque. Na caixa gigante, ele disse que trazia consigo suas armas. Que armas seriam essas?

— É uma armadura. — Ele respondeu, vestindo a couraça. O modelo original era realmente uma armadura grega, porém, ela era mais pesada. Visivelmente mais pesada, principalmente por cobrir maiores regiões do corpo.

— É uma santa armadura.

— Você não tem armas?

— Até tenho. — falei, pensando na minha espada — Mas meu manejo é muito limitado. — completei, levantando a mão e criando uma pequena esfera de chamas, que logo desapareceu.

— Ah! Algo acabou de me ocorrer. Eu não lhe falei meu nome!”Sério, só agora?”, pensei, enquanto ele vinha na minha direção — Sou Bruno, guerreiro de Hércules.

— Bom, vamos resga- — eu até pretendia falar mais, mas toda uma conjuntura de fatores me chamou a atenção. Ao mesmo tempo em que aquele som se manifestava – a coisa esquisita que só eu ouvia – eu senti uma explosão emocional – quando uma emoção vem carregada, sem aviso. — A caçadora!

Me concentrei na explosão emocional, correndo na sua direção. De longe, ergui uma barreira de paz – a contragosto, já que eu podia sentir a fadiga que isso causava -, esperando não ver corpo nenhum estirado no chão. Quando me aproximei, vi a caçadora, examinando um buraco no chão.

— Tudo bem? — perguntei.

— Essa é uma das entradas para o covil — Era um buraco excepcionalmente profundo, feito por uma aranha excepcionalmente grande. Se considerarmos o mundo divino, fazia até que um certo sentido. — Uma aranha me atacou por ela, mas a aura de paz a fez recuar. — Recuar? A aura não exatamente faz os seres desistirem de brigar, ela simplesmente “pausa” as brigas.

— Vamos invadir então. Richard as impede de lutar outra vez, e nós achamos nossos companheiros.

— Pode ser. — Eu falei, ponderando sobre o efeito da aura. Como eu já disse, o uso contínuo não era agradável. Além da fadiga, ele “saturava” minha percepção extra-sensorial, tornando as emoções muito mais difíceis de se ler ou controlar.

— Vamos, então.

Eu segui na frente, com estendendo minha aura pacífica. Com a mão esquerda, dobrei a luz ao meu redor, criando uma esfera quente de luz – ela emite energia, afinal. Escorregamos para dentro do buraco – era como se ele fosse desenhado em conformidade com uma parábola -, surgindo ao final em uma espécie de gruta esculpida nas camadas mais espessas do subsolo.

— A estrutura parece frágil. — comentei, averiguando a altura da “gruta”. Era alta, talvez um metro e meio mais alta do que eu – o que era ainda maior que a aranha, que tinha por volta de um metro e cinquenta centímetros. Estiquei a mão para frente, multiplicando as esferas de luz para que elas corressem o ambiente inteiro, nos fornecendo uma melhor visão do espaço. — Cuidado. Ali. — avisei, apontando para o fim da caverna.As aranhas estavam juntas, todas as quatro próximas à um amontoado de coisas – restos de comida, carcaças de animais mortos, e alguns corpos.

— Não consigo identificar os corpos daqui. — disse a caçadora, se aproximando.

— A aura está funcionando, mesmo assim, evite movimentos bruscos. — completei, terminando de observar o espaço.

— Não reconheço nenhum deles. Maldição! — ela xingou alto, o que fez as aranhas se movimentarem.

— Calma. Sem agitação, não sei por quanto tempo… O que é isso? — falei, enquanto me aproximava de um monte de terra. — Bruno! — chamei o guerreiro, que estava mais próximo. Eram duas pessoas em uma espécie de cova rasa, ambos com vestimentas incomuns aos mortais.

— É ele. Caçadora! — o guerreiro chamou, e ela veio averiguar — Vamos tira-los daqui.

Todos concordamos, e o guerreiro começou a mover os corpos. Decidimos que eu ficaria ali, para controlar as aranhas, e eles iriam subir pela entrada menos íngreme, levando os corpos – já que, por algum motivo, a caçadora era estranhamente forte. O problema, porém, é que a fadiga só aumentava. Por algum motivo, as aranhas estavam muito inquietas. E, como eu tinha que me abster das emoções alheias para manter a paz de pé, eu não tinha base para conjecturar sobre o que elas “pensavam”.

Algum tempo depois que o guerreiro havia movido o último corpo, a caçadora desceu por uma das entradas.

— Tudo bem lá em cima?

— Sim. — ela respondeu ríspida, indo na direção nas aranhas.

— Não é uma boa ideia.

— Minha irmã foi envenenada. Eu preciso do veneno.

— Calma. Irmã…? — Por um momento, eu me foquei nas emoções. De início, era impossível de diferir a caçadora ou as aranhas, eram quase como cores iguais. Depois, eu notei a raiva crescente da garota. Ele iria atacar. “Atacar?”, pensei. Não era possível. Ninguém poderia atacar dentro da minha área de paz. Se ela podia, quer dizer que… — Cuidado!

Quando percebi que minha manipulação havia sido quebrada, me movi para fazer algo. Uma luta em um local como aquele seria catastrófica. Então, corri na direção da caçadora, esticando o braço e projetando uma torrente de chamas nas aranhas – mas não pense que eu não ordenei que o fogo circundasse a garota.

— Temos que sair daqui! — gritei, ainda jogando chamas para afastar as aranhas. — Temos que lev-

— Esquerda! — ela avisou, e eu virei o rosto. Uma aranha vinha na minha direção, e eu agi o mais rápido que pude. Inflamei uma região do meu peito, ativando a couraça metálica. Ela surgiu no momento em que sofri a investida, protegendo meu peito das presas da criatura. Concentrei camadas de fogo ao redor do meu corpo e, no momento em que minhas costas tocaram a terra, explodi as chamas, vomitando uma língua de fogo amarelo entre as presas da besta.

A quantidade de chamas assustou a aranha, e eu senti sua dor aprofundando-se no meu cérebro. Sua resposta, porém, foi automática. Ela saltou como se estivesse a céu aberto,atingindo com força o frágil teto de terra.

— Caçadora! — gritei enquanto rolava para a direita, tentando achar a garota.

— Aqui! — ela gritou de volta, estava lidando com as outras aranhas. Uma delas estava mais afrente, e a caçadora tentava afasta-la com golpes da sua faca. Aproveitei a distância e projetei outra torrente de chamas – já seguro de que não atingiria a moça.

— Temos que sair daqui! — Continuei o fluxo de chamas, mas as aranhas eram rápidas. Elas recuavam, iam para a direita, esquerda. Consegui notar, com o canto de olho, que a caçadora havia conseguido cortar a barriga – aranhas tem barriga? – da criatura, obrigando-a a se afastar. — Agora!

Corremos em direção às entradas. A caçadora foi primeira a passar – eu continuei fazendo o melhor que pude com as chamas. Alguns segundos depois, notei uma corda surgindo pelo buraco, e comecei a subir por ela, até alcançar a superfície.

— Tudo bem?

— Sim — falei, me distanciando do buraco. — Mas eu consigo sentir a agitação, elas estão subindo — estava me referindo às aranhas. E, pra variar, eu estava certo.


————————————————————————————————-


A primeira aranha então surgiu, andando para fora do buraco, vindo em nossa direção. Resolvemos nos separar, a caçadora indo para a esquerda, eu indo para a direita e o guerreiro correu para o centro – em direção a criatura.

Concentrei minhas chamas em três esferas de fogo, arremessando duas delas contra a aranha. Isso pareceu a distrair – gerando a oportunidade para que Bruno atacasse. Ele correu como um jogador de futebol – o nosso futebol, não o do Brasil – erguendo o braço em um delta, atingindo em cheio a criatura na região direita às presas.

Porém – cacete, isso acontece pra caramba comigo – o som veio outra vez. “Alto”, eu ouvi. Quando levantei o rosto, vi um gigantesco borrão negro caindo em minha direção. Não havia movimento que eu pudesse executar que mudaria a trajetória de tamanha besta, então rolei para mais para a direita. Quando minhas costas tocaram o chão – ao final do rolamento – projetei a última esfera de fogo na criatura – junto a uma torrente de chamas – para que eu não fosse surpreendido quando ela chegasse ao chão. Contudo, a surpresa veio de outro lugar.

Logo acima de mim, outra aranha caía – sim, aranhas jorravam do céu como gotas de chuva. Na situação em que eu me encontrava, a criatura iria me atingir em cheio, sem chance de desvio. Incendiei minhas mãos – o que potencializava meus ataques corpo-a-corpo -, esperando sobreviver ao impacto. Maaaas, eu não estava sozinho. Um borrão atingiu a aranha em pleno ar, explodindo em luz e eletricidade com a colisão, desviando a criatura colossal em alguns metros. Era a caçadora, voando.

— Você voa!? — perguntei, surpreso e feliz, enquanto me levantava.

— Obviamente! — ela gritou, sacando seu arco das costas e conjurando uma flecha de eletricidade. — À sua direita!

Eu havia andado tanto para a direita que, uma vez mais, estava próximo ao buraco que servia de entrada para a gruta. A última aranha surgiu, escalando os túneis de terra, vindo na minha direção. A caçadora então soltou a seta elétrica, que se chocou contra a criatura, liberando uma onda de eletricidade. Agi rápido, aproveitando a oportunidade dada pela garota. Joguei o punho direito para trás, abaixando o tronco e correndo. Estiquei o braço esquerdo para baixo, lançando um véu de fogo que se estendeu até a aranha – para atrapalhar ainda mais sua reação. Quando cheguei perto o suficiente executei um salto – uma das técnicas do kalari que aprendi com a Jessica -, projetando todo o meu peso para frente e direcionando meu punho acima da presa da criatura, socando de cima para baixo junto a uma profusão de chamas.

Senti a pressão no estômago – característica do excesso do uso de minhas habilidades “divinas” -, mas me esforcei para continuar o ataque. Logo depois do soco iniciei um giro para a esquerda – um giro completo – parando de braços abertos quando estava de frente para a lateral da criatura. Ainda com minhas mãos recobertas de fogo movimentei os braços para frente do corpo – com a palma da mão virada para cima – tal qual uma tesoura. O objetivo era queimar e quebrar as patas da lateral esquerda da aranha, comprometendo completamente sua movimentação.

Consegui finalizar a investida com sucesso, mas não a tempo de perceber que outra aranha vinha em minha direção. Virei a cabeça, tentando localizar meus companheiros de luta, e terminei atingido na lateral do corpo, sendo levado ao chão. Tentei reagir rápido, agarrando em uma das patas com minha mão direita. Puxei essa determinada pata, de algum modo avariando-a, mas ainda assim a aranha continuou em cima de mim. Na verdade, foi pior. Suas presas fincaram no meu braço esquerdo, e eu senti o veneno adentrando o meu corpo.


————————————————————————————————-


Da esquerda, como um caminhão, vinha Bruno. O guerreiro se aproxima com seus dois braços abaixados, os dois punhos juntos, preparado para um ataque. Quando chegou próximo o suficiente, seus dois braços subiram, sincronizados, atingindo a aranha com uma força descomunal – até mesmo para os semideuses. A criatura logo saiu de cima de mim, caindo alguns metros à minha direita. O guerreiro continuou correndo, pulando por cima do meu corpo, com a intenção de atacar outra vez.

Levantei devagar – já podia sentir a paralisia afetando meu braço esquerdo -, olhando o panorama geral. Me surpreendi quando, vindo na minha direção, estava outra aranha. “Elas não param de atacar!”, pensei. Era um ritmo constante, mas muito estranho para criaturas irracionais. Algo mais estava tremendamente errado.

Antes que a terceira aranha pudesse vir e atrapalhar o ataque do guerreiro, me levantei e ativei as chamas da couraça. Um círculo de fogo se formou ao meu redor, e corri na direção da criatura. Quando ela saltou para me atacar, joguei o corpo para o lado esquerdo, projetando o pé como um chute forte em suas patas.

Me levantei desajeitadamente, ainda que sem muito equilibro, logo que toquei o solo. Com o canto do olho vi a aranha no chão, provavelmente ainda se recuperando, e após alguns passos pulei, jogando meu corpo contra a parte de cima da criatura.

Gritei com a dor do impacto, repetindo mentalmente que o plano era bom. A ideia, por si só, era bem simples. Eu estava usando o círculo de fogo para cremar a aranha, aproveitando a proximidade. Porém, também reagindo rápido em função da dor, a aranha precipitou seu corpo para cima – em outro de seus altos pulos – me arremessando para o lado.

Demorei uns segundos a mais para levantar uma terceira vez – afinal, padecia de diversos focos de dor pelo corpo. Quando finalmente me coloquei de pé, notei que o veneno já havia paralisado a maior parte do meu braço esquerdo. Alguns metros afrente, a aranha já retomava seu equilibro – ainda que com dificuldades, pelos danos em suas patas dianteiras -, galgando o terreno na minha direção. As criaturas possuíam uma vontade voraz. De certa maneira, até ilógica. Expandi minha mente, ignorando minha exaustão e focando na malha de emoções do local. Outra vez, notei a semelhança entre o “coração” da caçadora e o das aranhas. Cores iguais, cheiros iguais, gostos iguais. “Que tipo de sentimento uma semideusa e uma aranha compartilham?”, me perguntei. Contudo, parei as divagações com a aproximação da criatura. Era hora de terminar com tudo aquilo.

Corri, desajeitado, pra encurtar a demora da colisão. Estiquei o braço direito para frente, dobrando a luz ao redor para que ela formasse uma parede entre eu e a aranha. Claro que a parede não tinha substância, mas a ideia era criar confusão. Diminui a velocidade, invocando minha espada flamejante. Quando a criatura surgiu da parede de luz eu projetei meu corpo para o alto e para frente, com o braço da espada esticado para a direita. No momento em que as presas tocaram no metal da couraça recolhi o braço, fincando a espada em chamas no que achei ser a cabeça da aranha, transpassando-a.


————————————————————————————————-


Empurrei com repugnância a carcaça da aranha – sim, tenho nojinho. Levantei apoiando a espada no chão, já correndo os olhos pela região. O guerreiro havia acabado de matar sua aranha – com um soco que havia perfurado o corpo da criatura. O que me chamou a atenção, porém, foi a caçadora. Obriguei meu corpo a ir em sua direção.

No momento em que comecei a andar ela estava ainda voando, cruzando o céu até atingir uma aranha no ar – como na vez em que ela havia impedido que eu fosse esmagado. Uma explosão elétrica nasceu da colisão. A aranha finalizou o trajeto ao solo completamente imóvel, enquanto a caçadora pareceu perder o controle e vôou cegamente em direção ao chão. Acelerei o passo em sua direção.

— Tudo bem? — perguntei, me aproximando.

— Urgh… Sim… — ela respondeu enquanto sentava.

— E a aranha?

— Paralisada. — Nesse instante, ela notou o machucado no meu braço esquerdo. — Você foi mordido?

— Sim. — respondi, sentando ao lado dela. — Agora é uma boa hora pra você pegar o veneno e fazer sua magia.

— Vai demorar muito tempo até que eu consiga fazer o antídoto. Existe um risco muito grande de que… — ela terminou de falar ao final, socando a terra. O guerreiro fazia menção de se aproximar, mas eu fiz um sinal de “negativo” com a cabeça. — Droga!

— Ela é… Sua irmã? — eu estava me referindo à caçadora que encontramos paralisada, quase morta.

— Sim… — o silêncio perdurou por alguns segundos, até que eu ouvi outro dos sons. Agora, muito mais audível. Algo como “Posso ajudar”.

— Você falou alguma coisa? — perguntei, só pra ter certeza.

— Ãhn? — Expandi minha mente outra vez, e a pressão no estômago aumentou, fazendo surgir alguns pontos brancos na visão. Resolvi, então, interagir mais. “Quem?”, perguntei, meio que “amplificando” minha emoção de dúvida. Supreendentemente, ouvi um “Eu”. “Onde?”, perguntei.

“Alto.”, eu ouvi. Virei minha cabeça para o alto, e não notei nada demais. “Onde, no alto?”. “Posso me aproximar?”. “Você é… Inimigo?”. Houve uma longa pausa. “Depende do ponto de vista. Mas, não.”, a voz respondeu – agora, com muito mais desenvoltura e vocabulário.

Vindo de muito alto, notei algo descendo. Uma forma brilhante, vermelho-alaranjada. Quando estava somente alguns metros distante, notei que era composta de fogo. Tal criatura baixou seu vôo, pairando na altura do meu rosto.

— Uma fênix! — exclamou a caçadora.

“Deveras”, respondeu a voz. Fazia sentido, a fênix é feita de fogo. Agora, eu conseguir me comunicar telepaticamente, isso não fazia sentido algum. “Você é uma fênix?”. “Acredito que um fênix, apesar de minha espécie não ter uma diferenciação anatômica de gêneros.”.

— Eu consigo conversar com essa fênix. — expliquei para a caçadora.Esse fênix.

— Talvez… Talvez.. Ela possa nos ajudar! — exclamou ela outra vez, agora levantando com um salto.

“Pode?”, perguntei.

“Sim. Minhas lágrimas podem curar.”.

“Suas… Lágrimas?”.

“Sim”.

“Mas… Você tem que chorar?”.

“Sim”.

“Como isso funciona?”, outra pausa.

“Acredito que eu somente… Choro”.

“Mas, tipo, você tem que sentir dor ou tristeza?”. Outra pausa.

“Creio que seja como seu complexo urinário. Você escolhe urinar, logo, urina. Eu escolho chorar, logo, eu choro. Com excessão de que minhas lágrimas não se acumulam com a ingestão de líquidos”

“Calma, você precisa de líqui-… Tá, essa não é a prioridade aqui. Pode nos ajudar?”, perguntei uma última vez. Porém, não ouvi resposta. Ao invés, a ave de fogo bateu suas asas em minha direção, abaixando sua cabeça sobre minha ferida. Pude notar que ela tinha – ele, aliais -, sim, penas. Penas amarelo-alaranjadas, que queimavam constantemente.

Algumas gotas brancas pingaram dos olhos da – ok, do – fênix. Sua consistência e temperatura lembravam água morna, mas o efeito foi visivelmente diferente. Alguns segundos, e já pude sentir que o efeito paralisante esta indo embora. Olhei para a caçadora, notando sua reação. Ela estava maravilhada, agora que havia uma chance concreta de salvar sua irmã. Enquanto o fênix voava até a caçadora e o guerreiro desacordados, me pus a pensar. Foi ai que eu entendi o porque da tenacidade das aranhas. Eu deveria ter percebido isso desde o início, afinal, é o que eu faço. Ao menos, o que eu deveria fazer.


————————————————————————————————-


— […] por isso elas atacaram os semideuses. Dentro da gruta, em algum lugar, deveriam estar os ovos. Elas estavam juntando comida para a ninhada. O acaso simplesmente levou eles até as aranhas. — terminei de explicar para meus companheiros de viagem. Não que eu me sentisse apiedado pelas aranhas, mas ainda assim era uma situação complicada. Principalmente por eu compreender as emoções de uma maneira que poucos compreendem. Quando atacamos a gruta, aquelas criaturas sentiram praticamente a mesma coisa que a caçadora: necessidade de proteger a família. Uma combinação muito específica de medo e amor, em altas quantidades. Parece um pouco cruel, pensar por essa lado. Isso nos torna assassinos cruéís? Mas se fosse o contrário – se as aranhas tivessem nos matados -, seríamos vítimas?

Esse tipo de questão moral é mais filosófica do que realmente prática, já que – se você pensar bem – engloba muito mais. O Acampamento, por exemplo, é uma instituição que treina semideuses. Os ensina a matar monstros. Porém, essa seria uma necessidade advinda da sobrevivência, já que monstros se alimentam de meio-sangues. Mas então, porque não ensinamos gazelas a fugir de leões? Porque é como a cadeia alimentar funciona? Nessa visão, pode-se concluir que os monstros são parte da cadeia alimentar. Logo, semideuses são parte da cadeia alimentar. Então, tudo o que o Acampamento Meio-Sangue faz é perturbar a ordem natural das coisas.

Mas, como eu disse, é mais filosófica do que qualquer coisa. Não gaste seu tempo pensando nesses trecos metafísicos, vai por mim.

— É compatível com o comportamento das saltimore.

— De qualquer maneira, foi uma missão bem sucedida. Apesar de ter uma caçadora no meio. — só pra ilustrar melhor, estávamos já no acampamento, a caminho da casa grande para falhar com Quíron. Eu já imaginava que iria rolar uma treta, ao ver a expressão na cara da caçadora. — Calma! Brincadeira. Apesar das nossas desavenças, eu… Bom, foi bom trabalhar com você.

É. Eu fiquei bem surpreso, pareceu bem maduro da parte dele. A caçadora, porém, não demonstrou nada. Mas, pelo menos, não estava de cara amarrada. O que me lembrou…

— Aliais, faltou uma coisa.

— O que? — Acelerei o passo, parando em frente à caçadora.

— Meu nome é Richard Rider. — e estiquei a mão, em um cumprimento — Qual os seu? — a garota esboçou um pequeno sorriso – uma outra surpresa.

— Anna. Anna Marie.

"welcome to the nova corps 2.0" – by anxes, handmade for role-playing with "richard n. rider"


Última edição por Richard N. Rider em Qui Abr 02, 2015 7:23 pm, editado 1 vez(es)
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Re: {One Post} Resgate ou caçada?

Mensagem por Richard N. Rider em Qui Abr 02, 2015 7:21 pm

OFF TOPIC


É, tem alguém macumando meus primeiros posts. Mas tai ai, terminei, deu uma revisada. Ficou grande, mas ai é porque deu vontade de mostrar mais a caçadora e o guerreiro - principalmente porque decidi usa-los como NPCs recorrentes na saga -q

Mas, sério, não era pra ficar tão grande. Teve um momento em que eu contei, ai deu 3000 poucos. Pensei, vixe, tem bastante já. Ai, sério, DO NADA, dobrou -qq

MASACOTE


Fênix [Filhote // Nível 01 // 100 PV // 100 PR // 0 L // Uma ave de fogo, com penas brilhantes e douradas, do mesmo tamanho que uma água. // Bicar, garras, voar. // As lágrimas de uma fênix curam as feridas de quem é tocado por elas. Metade do PV máximo do semideus] RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Primeira aparição do mascote. Ele é a voz estranha que fala com o Richie durante vários momentos, dando pequenas “dicas”.


ARMAS USADAS


Espada Flamejante [Bronze Celestial // Espada forjada em bronze celestial com a lâmina alaranjada. Possui a capacidade de se transformar em um anel quando não está em uso. Sua lâmina é encantada, permitindo que a arma entre em combustão instantânea, cobrindo-a com fogo e potencializando o dano // Presente de reclamação de Héstia]. RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Usado pra estocar a aranha

Couraça [Bronze Celestial // Peitoral de armadura forjado em bronze celestial, disfarçando-se de um pequeno broche com o desenho de uma chama quando não está ativado. Possui a capacidade de, uma vez por missão, criar um círculo de fogo ao redor do semideus que derrete tudo que se aproxima, inclusive metais mais fracos que o da própria couraça. Não derrete bronze celestial ou ferro estíge, mas queima também a pele humana devido ao calor // Presente de reclamação de Héstia]. RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Ativada ainda dentro da gruta, continuou ativada até o fim do combate. Sua capacidade foi ativada após ser mordido pela aranha



Tiara Lunar [Bronze Celestial // Tiara de coloração prateada que em uso dobra a velocidade e a força física da Caçadora. Para uso dos poderes ativos do grupo é preciso estar com a tiara em uso // Presente de iniciação das Caçadoras de Ártemis] ANNA MARIE, CAÇADORA DE ÁRTEMIS E FILHA DE ZEUS | Utilizado durante todos os momentos.

Arco de Bronze [Bronze Celestial // Arco comum, feito em bronze celestial] ANNA MARIE, CAÇADORA DE ÁRTEMIS E FILHA DE ZEUS | Utilizado na batalha contra as ariranhas



Elmo [Bronze Celestial // Capacete metálico que protege a cabeça e as laterais do rosto, deixando apenas a parte frontal exposta. // Comprado na Loja do Acampamento] BRUNO, GUERREIRO DE HÉRCULES | Utilizado na batalha contra as ariranhas

Luvas [Bronze Celestial // Par de luvas metálicas feitas em aço que protegem as mãos e os antebraços do semideus // Comprado na Loja do Acampamento] BRUNO, GUERREIRO DE HÉRCULES | Utilizado na batalha contra as ariranhas

Couraça [Bronze Celestial // Peitoral de armadura feito em aço, protegendo o tronco, os ombros e com um saiote metálico que protege as coxas e a cintura // Comprado na Loja do Acampamento] BRUNO, GUERREIRO DE HÉRCULES | Utilizado na batalha contra as ariranhas

Grevas [Bronze Celestial // Caneleiras feitas em aço que protegem as pernas do semideus. Ficam nas canelas e joelhos // Comprado na Loja do Acampamento] BRUNO, GUERREIRO DE HÉRCULES | Utilizado na batalha contra as ariranhas

Botas [Bronze Celestial // Par de botas metálicas que compõe a armadura. Protegem os pés e os tornozelos, chegando até o início da canela // Comprado na Loja do Acampamento] BRUNO, GUERREIRO DE HÉRCULES | Utilizado na batalha contra as ariranhas

Bracelete da Brutalidade  [Bronze Celestial // Bracelete cor de bronze que costuma enfeitar o bíceps dos Guerreiros de Héracles. Enquanto está em uso dobra a força e a resistência física do semideus. Para uso dos poderes ativos do grupo é preciso estar com o bracelete // Presente de iniciação dos Guerreiros de Héracles] BRUNO, GUERREIRO DE HÉRCULES | Utilizado na batalha contra as ariranhas

PODERES USADOS

[Nível 03] Empatia – Os protegidos de Héstia possuem uma sensibilidade no sentido de sentimentos, portanto, são capazes de perceber as emoções e sentimentos de todos ao seu redor com apenas um olhar. [RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado praticamente em todos os momentos]

[Nível 10] Pirocinese – Os protegidos de Héstia possuem a habilidade de controlar as chamas. [RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado pela primeira vez em “criando uma pequena esfera de chamas”. Depois, utilizado constantemente até o fim]

[Nível 06] Imunidade ao fogo – Os protegidos de Héstia são imunes à altas temperaturas, nunca sofrerão queimaduras e terão imunidade completa ao fogo. [RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Visto em todos os momentos em que Richie cria/manipula fogo]

[Nível 01] Aura Pacífica – Os protegidos de Héstia possuem uma aura pacífica, que impede que qualquer ser-vivo faça o primeiro ataque contra os mesmos.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “Nenhuma criatura viva pode me atacar primeiro”]

[Nível 15] Fênix – Os protegidos de Héstia possuem habilidade de comunicar-se telepaticamente com fênix.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado pra conversar com a – ops, o – fênix[/b]]

[Nível 17] Fotocinese – Os protegidos de Héstia possuem a habilidade de absorver a luz e controla-la.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “dobrei a luz ao meu redor”, “dobrando a luz ao redor”]




[Nível 10] Bolas de Fogo – O protegido de Héstia poderá criar três bolas de fogo com a mão e atirá-las como quiser no inimigo, todas de uma só vez ou não. O dano será por queimadura.
Gasto: 50 PM
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “três esferas de fogo”]

[Nível 13] Língua de Fogo Amarelo – O protegido de Héstia poderá manipular e criar a chamada chama amarela, este, por sua vez, tem um dano mais alto por ser a mais quente de todas. Através disso, o protegido dará forma a uma língua de fogo, que ao encontrar no inimigo, causará sérias queimaduras.
Gasto: 65 PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “três esferas de fogo”]

[Nível 08] Aura da Paz – O protegido de Héstia poderá expandir sua aura pacífica em no máximo 200m, impedindo brigas e lutas nesse raio.
Duração: Dois turnos.
Gasto: 30 PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “aura de paz”, “expandindo minha aura de paz”, “ergui uma barreira de paz”]

[Nível 11] Punhos em Chamas – O protegido de Héstia poderá envolver os próprios punhos com fogo, potencializando seus ataques sem a utilização de arma branca. Causará queimaduras no inimigo se o atingir.
Gasto: 55 PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “Incendiei minhas mãos”[/b]]

[Nível 02] Modificador Emocional – O protegido de Héstia poderá manipular as emoções de qualquer um através do toque contínuo, apenas quando estiver em contato físico com o semideus.
Gasto: 10 PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “adulterando suas emoções, para que ela se acalmasse”, “coloquei meus poderes empáticos para trabalhar”]








[Nível 10] Voar – O filho de Zeus poderá voar perfeitamente nesse nível, desde que seja coerente na altura que atingirá, vide o poder do nível 01.
[ANNA MARIE, CAÇADORA DE ÁRTEMIS E FILHA DE ZEUS | Utilizado toda a batalha contra as ariranhas]




[Nível 10] Descarga – O filho de Zeus eletrificará a própria mão e com isso, lançará um pequeno choque no inimigo, causando dano e dormência muscular. O semideus agora lança ondas elétricas que além de dano, irão causar paralisia, endurecendo músculos através da estática.
Gasto: 20 PM.
[ANNA MARIE, CAÇADORA DE ÁRTEMIS E FILHA DE ZEUS | Utilizado para paralisar a última aranha, no ar]

[Nível 13] Setas Elétricas – Por naturalmente não possuir maestria com arcos, os filhos de Zeus podem criar setas de energia, que ao serem lançadas contra um inimigo, dá a sensação de um choque em sua pele. Ao atingir o alvo as setas passam a causar dano em todos que estiverem em um raio de 2 metros do ponto onde acertaram por dispersão de energia. Também passam a ser usadas como munição de arcos e bestas.
Gasto: 40 PM.
[ANNA MARIE, CAÇADORA DE ÁRTEMIS E FILHA DE ZEUS | Utilizado sempre que o Richie citava as flechas de eletricidade da Anna]






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Re: {One Post} Resgate ou caçada?

Mensagem por Convidado em Qui Abr 02, 2015 8:52 pm

1. Avaliação


O uso da criatividade foi feito de forma correta, sendo coerente à situação em que se encontrava.
A escrita quase não teve erros, apenas um ou outro com uso de pronomes e coisas do tipo.
Gostei da forma como levou a situação e de como completou a missão, porém em alguns momento ficou cansativo de se ler.
Fora isso, parabéns.

2. Recompensa


180 xp
100 dracmas
Veneno de Saltimorte [ Um frasco com uma quantidade pequena de veneno que é capaz de paralisar o corpo, causando febre, dor e alucinações. ]
+2 de fama

A
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ç
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Convidado

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Re: {One Post} Resgate ou caçada?

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