[ ONE POST ] - O Bom Filho a Casa Retorna -

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[ ONE POST ] - O Bom Filho a Casa Retorna -

Mensagem por Poseidon em Sab Abr 11, 2015 4:01 pm

1. A Missão


Aconteceu no meio do jantar do rapaz. Graças aos seus afazeres de semideus, há um bom tempo que o rapaz não se sentava junto com os outros semideuses e fazia os devidos ritos em cada refeição. Dessa vez, ao arremessar a melhor parte do seu jantar na fogueira, ouviu um som diferente, não era aquele típico crepitar do fogo e, por ser um especialista em chamas, lareiras e fogueiras, óbvio que ele se sentiu atraído.

“Esquecestes de suas raízes, jovem mortal? Foi Héstia que te trouxe ao mundo dos deuses e semideuses” a voz sussurrou, calma e acolhedora, como se o tempo fosse um detalhe mínimo, algo que não devesse ser levado em conta “Ensinar-lhe-ei sobre os vínculos, os laços e sobre o lar, aguarde”.

[...]

No final da noite, todos os campistas adormeceram tranquilamente em seus chalés, exceto por Richard. Ele foi o único que percebeu a alteração de cor repentina na chama da lareira do chalé. “Venha, meu querido. Lições são necessárias, um herói que perde o sentido e significado de casa nunca terá um propósito para continuar. Venha”

[...]

Enquanto isso em um telejornal local...

- As mudanças climáticas tem atingido toda a região. Um grupo de especialistas foi convocado, porém, nenhum esclarecimento foi divulgado. O governo ainda não declarou o Alerta de Emergência, mas aconselhou que a população permaneça em casa. Muitas empresas reclamam do atraso e dificuldade de locomoção dos seus funcionários. Vamos conversar agora com... - disse o jornalista.


2. Regras e Observações


- Fiz algo baseado no seu personagem que anda treinando e fazendo bastantes missões, inclusive uma que foi até pro Brasil.
- Não precisa de uma introdução gigantesca, pode começar a narração a partir do jantar, quando ouviu as vozes na fogueira - se preferir.
- A Lareira vai te levar de volta à cidade que nasceu. O estado da Flórida, no geral, é conhecido por ter um ambiente agradável, tropical. Então, nesse caso aqui, você encontrará um ambiente totalmente diferente, frio, desagradável, tempestuoso. A lareira vai te deixar em algum lugar do seu passado que você pode (ou não) lembrar de imediato, como uma escola que estudou, um hospital que frequentou, antiga casa dos pais, etc.
- Descubra e resolva o problema das mudanças climáticas. O desafio fica por sua conta, mas lembre-se de enfrentar, pelo menos, um monstro do seu nível - de acordo com o bestiário.
- Em algum lugar, Héstia vai ter deixado um casaco mágico para te proteger das alterações climáticas da cidade.
- 72 horas para postar, pode levar todas as armas, inclusive mascotes.
- Boa sorte! :D


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Re: [ ONE POST ] - O Bom Filho a Casa Retorna -

Mensagem por Richard N. Rider em Ter Abr 14, 2015 2:08 am

O BOM FILHO A CASA RETORNA
RICHARD RIDER, O NOVA

“— Esquecestes de suas raízes, jovem mortal? Foi Héstia que te trouxe ao mundo dos deuses e semideuses. Ensinar-lhe-ei sobre os vínculos, os laços e sobre o lar. Aguarde.”

É, tem aquele tom bem assustador. Foi basicamente isso que eu ouvi mais cedo naquele dia, enquanto dividia parte do meu rango com os deuses – tecnicamente a deusa, já que eu não tinha outro deus em mente. Uma voz profunda, vinda da lareira. Fiquei matutando sobre isso por um bom tempo – o que, por consequência, me impediu de dormir. Fiquei sentado em um dos confortáveis estofados do chalé de Héstia, encarando o fogo da lareira madrugada a dentro.

Como um vagalume, observei o crepitar das chamas por muito tempo. Tempo o suficiente para que todos os outros companheiros de chalé caíssem em sono profundo, e somente eu restasse. Claro, foi também por isso que eu fui o único que percebi.

"— Venha, meu querido. Lições são necessárias, um herói que perde o sentido e significado de casa nunca terá um propósito para continuar. Venha." — Outra vez, a voz falou na minha cabeça. Ela possuía um certo tom de aconchego, uma sonoridade que eu não pude ignorar.

O fogo então mudou sua coloração, ganhando em vermelho o que perdia em amarelo. A cada estalar a luz da lareira se tornava mais rubra, mais hipnotizante. Me levantei do sofá, indo em direção à luz. Estiquei um dos braços, mergulhando a mão em meio à brasa.

— Héstia? — Perguntei, em voz alta. Em resposta, a lareira cuspiu labaredas em minha direção. Senti as marcas – cicatrizes que cobriam parte do meu peito e do braço direito, fruto da minha reclamação como protegido – ficarem quentes, e o espaço ao meu redor brilhou. Estofado, parede, assoalho. Tudo agora era nada, e o nada era um pélago de luz e fogo.


——————————————————————————————



Quando a luz diminuiu, percebi que não estava mais no chalé. Ou sequer em Nova Iorque. Eu estava na minha cidade natal, na Flórida. Summer Memory.

Porque percebi tão rápido? Simples, era o lugar. Uma planície a se perder de vista, com  gramíneas amareladas que chegavam as canelas. Poucas árvores, separadas por grandes distâncias. O vento morno dançava, arrancando as folhas das copas. Mais afastada, uma casa grande, de três andares. Feita em madeira – com a maioria das casas da região -, sua fachada era composta de tons foscos de azul e amarelo, que brilhavam em sincronia com o dia e a noite.

Faziam anos desde minha última visita – na verdade, desde que meus pais foram mortos -, mas eu ainda lembrava da visão. Era um cenário lindo. Ao menos, deveria ser.

— O que...? — Perguntei a ninguém. Sabe toda aquela descrição de antes? Então, as coisas estavam um pouco diferentes. As gramíneas eram brancas, recobertas pela neve que caía incessantemente. As copas das árvores não mais existiam, e o vento morto agora cortava como lâminas de gelo. Minha casa – ok, talvez a casa não estivesse mais no meu nome – também estava coberta pela neve, e os tons de azul e amarelo não mais existiam.

E porque eu fiquei surpreso? Venhamos e convenhamos, era agosto. Na Flórida mal há neve, ainda mais no verão. Projetei um círculo de luz e chamas ao meu redor – já que eu, definitivamente, não estava em roupas de frio. Comecei a caminhar em direção à casa, tentando forçar a visão para ver através da neve. Não dava pra ver muita coisa, além da estrutura da casa e do branco. Uma tocha estava presa à parede, próxima a porta. Quanto mais me aproximava, pude notar que não era uma tocha. Era mais. Era uma... Ave.

— Você...? — Era a mesma ave de fogo – uma fênix – que eu havia encontrado em minha missão ao Brasil.

"Não precisa falar. Afinal, não tenho cordas vocais para responder." — reconheci a "voz" da fênix – na verdade, do fênix – na minha cabeça.

"A Deusa me trouxe aqui, não?" — perguntei, ainda em pensamento.

"Sim." — Respondeu a ave, quando notei o que ela – ok, ele – levava em suas garras. Uma espécie de... Casaco? "É pra você. As janelas e portas ficaram abertas, então neve penetrou dentro da casa." — A peça de roupa era de uma coloração azul, extremamente escura – porém, ainda perceptível -, e era do tipo que você veste pela cabeça.

"Porque eu estou aqui?" — perguntei, vestindo o casaco e adentrando a casa. A neve realmente havia invadido o cômodo, como pude notar, ao ver o "revestimento" alvo no assoalho e as janelas escancaradas.

"Você sabe."

"Quem é você?" — Àquela altura, eu já estava subindo as escadas, até a sala de estar no segundo andar.

"A Deusa me enviou para guia-lo, eu acho."

"Você acha?"

"Os sonhos dos deuses são impossíveis ao olhar dos homens." — me respondeu o fênix "Acredito que isso se aplique a mim, também."

Continuei subindo os degraus, até ter uma visão do que havia se tornado a sala de estar. Os móveis estavam no lugar, todos concertados. O único "erro" era a neve, que também havia invadido o cômodo. Caminhei lentamente até o centro do aposento, enquanto os flashes de memória iam surgindo.

Relembrei do momento em que eu e minha mãe subimos correndo as escadas – eu em meio a tropeços, assustado, e sem a menor ideia do que estava acontecendo. Ela então me puxou até a lareira, com a expressão séria e extremamente preocupada. Fez com que eu sentasse em meio ao carvão – vez ou outra virando a cabeça para ver se alguém estava vindo -, e me disse: "Richard, fique ai, escondido! Não saia por nada, está me entendendo? Não saia!". Nessa altura, ela já estava chorando – nunca havia visto minha mãe chorar.

A media em que a vi se afastando, a portinhola da lareira fechou. Só ouvi barulhos abafados, vindos do andar de baixo. Tentei permanecer em silêncio, mas era uma tarefa pesada demais para um garotinho. Engasgando entre soluços e a dificuldade para respirar, passei a ouvir somente silêncio. Por longos segundos, só silêncio. Depois, passos calmos – porém pesados – subindo os degraus. Uma batida rítmica contra a madeira, se aproximando de mim. Quando ela parou, percebi que a portinhola estava abrindo. Aos poucos, um ar mais respirável invadia a lareira. Mas, ainda assim, um ar fétido. Desagradável, um ar de morte.

"Eu já superei a morte dos meus pais." — comentei para meu "companheiro", enquanto ia até a lareira. "Se foi por isso que a Deusa me trouxe aqui."

"Será mesmo?"

"Depois de muito tempo..." — continuei, me agachando e mexendo nos carvões da lareira – que estava cobertos por neve. "Eu aprendi que a morte deles foi inevitável. E que eles não gostariam que eu ficasse remoendo isso pelo resto da vida, prefeririam que simplesmente... Vivesse."

"Isso me parece fatalista."

"A morte é fatalista. De qualquer maneira, estar aqui é nostálgico." — Inflamei minhas mãos, para derreter a neve dos carvões e acende-los. "Esse clima é consequência dos estranhos... Acontecimentos, no mundo?"

"Não sei muito do seu mundo mortal. Não saberia dizer." — Continuei produzindo chamas – já dava até pra sentir o cheiro do carvão aquecendo.

"Bom, alguma coisa eu sei. Summer Memory não deveria ter neve." — completei, acendendo a lareira. Ela estava pequena, por causa da neve – resolvi, então, fechar a janela. "Se eu tivesse que arriscar um palpite, diria que é por isso que estou aqui."

No exato instante em que fechei a janela, o fogo da lareira cresceu. Não normalmente, mas sim de uma maneira colossal. Labaredas saltaram para além da sala, aquecendo todo o ambiente. Em segundos, a neve derretia e se tornava água, e a água evaporava para se tornar vapor. Olhei para a fênix – ou o -, e tive a impressão de que ele se curvava para a lareira.

— Héstia? — perguntei, me aproximando cautelosamente.

"Você não a reconhece?" — perguntou "A Deusa está falando com você."

"Mas eu não ouço nada..." — continuei me aproximando.

"Não é assim que ela fala. A Deusa não precisa usar palavras, onde emoções são suficientes."

"Emoções..." — Parei em frente à lareira, tentando entender o que acontecia. Minha empatia não captava nada que eu reconhecesse. Não dava pra saber se faltava informação ou se eu a tinha em excesso. O fogo brilhava como poucas vezes eu já havia visto – mas como traduzir isso em sentimento? O odor da neve derretida junto a madeira queimada resultava em uma fragrância única – mas como traduzir isso em sentimento? O próprio som do crepitar das chamas era singular, ecoando como uma orquestra de estalos ritmados – mas como traduzir isso em sentimento?

"Héstia?" — perguntei com minha mente, sentando em frente a lareira. Me concentrei ao máximo em meu sentimento de dúvida. Tentei "conduzi-lo" até a Deusa, por meio da minha empatia. Como resposta, a chama da lareira brilho diferente. Fugiu do alaranjado para o branco, brilhando com – até mesmo incômoda – intensidade. "Porque eu estou aqui?" — questionei uma segunda vez, conduzindo minha dúvida uma vez mais. Uma miríade de cores pintou as chamas da lareira, desenhando formas por entre as labaredas coloridas. Por um momento, fiquei confuso quanto ao significado. Tantas emoções, tantas facetas – muitas vezes diferentes apenas por um mero detalhe. "Eu ainda... Não entendo." — E devolvi minha dúvida. Àquela altura, parecia que dúvida era o único sentimento que eu conseguia exprimir. Mas, ainda assim, houve resposta. A chama brilhou em vermelho – a mesma tonalidade que eu havia visto no acampamento – e expandiu. As flamas rubras me circundaram, e outra vez eu enxerguei o mundo queimar.

Ressurgi em outro lugar – como na vez anterior. Observei, por alguns segundos, a neve caindo. Os flocos brancos cortavam violentamente o ar, encobrindo alguns focos de luz – o que pareciam ser, talvez, iluminação de postes. Ao meu lado, batendo as asas, estava a fênix – dane-se, ok, o fênix. Invoquei uma esfera de chamas ao nosso redor – algo para diminuir a intempérie.

"Alguma ideia de onde estamos?"

"Você estava conversando com a Deusa."

"Você compreende que isso não foi uma... Resposta." — parei a linha do pensamento por um segundo, quando notei algo preso em um dos postes de luz. Recolhi – era um jornal, aliais -, atraído pela manchete da capa. "Prédio escolar fechado por causa da tempestade..."

"O que você achou?"

"Já sei onde estamos." — respondi, cruzando a rua – aparentemente, era uma rua – até a calçada do outro lado. Mesmo com a forte neve, se você forçasse a visão, era possível notar o grande portão metálico – e as correntes, que agiam como fechadura. "Eu estudei aqui, há muito tempo. Escola Primária de Summer Memory."


——————————————————————————————



"Você vem?" — perguntei para o fênix, logo depois de escalar o portão. Não era muito complicado de se fazer, considerando que – em razão dos meus extensos treinos de elasticidade com o kalaripayattu – meus reflexos estavam mais desenvolvidos.

"Sim" — respondeu a ave de fogo, voando. Quando ela se posicionou ao meu lado – já dentro do terreno da escola – recriei a esfera de fogo. Continuei andando – logo depois do portão vinha um largo corredor -, ainda forçando a visão para enxergar algo mais concreto. Era estranho, porém. Parecia que – de alguma maneira – a nevasca ficava cada mais forte dentro da escola. Eu estava somente alguns metros distante do final do corredor, mas ainda assim, mal podia ver o que estava adiante.

"Consegue ver alguma coisa?"

"Minha visão é em muito prejudicada pala neve. Ainda mais que a sua." — Fazia sentido, se pensarmos na fênix como um animal... Tropical? Bom, conjecturas. Alcancei, enfim, o fim da passagem. Agora, se não bastasse a neve intensa, havia um vento violento. O tipo de corrente advinda de poderosas tormentas – nem de longe o tipo de coisa comum à Summer Memory.

"Tem algo muito errado aqui..." — comentei, logo antes de notar alguma coisa ainda mais diferente. Minha empatia havia percebido alguém. Ou algo – muito mais pra algo. Não necessariamente uma única emoção, mais sim o que eu poderia descrever como uma pitada de todas e a presença de nenhuma. Era como olhar para frente e enxergar um quadro em branco, pintado pela presença de toda aquela neve. Até que então surge um borrão cinza-claro, logo embaixo. De início, sua forma só pode ser descrita como a "ausência absoluta". Depois, seus traços se definem. Sua cor decaí para o branco – ainda que um branco diferente. Dois pontos verdes surgem, delineando o que pareciam ser... Olhos? Assim sendo, o quadro geral se define. Ao fundo – como o background que ocupa toda a tela -, a nevasca. Como centro, o animal – sim, agora você consegue caracteriza-lo como uma animal -, mais especificamente um coelho. Sim, sim, sim. Um coelho em uma tempestade de neve. "Você viu isso?!" — perguntei, correndo na direção do bicho.

"Eu lhe disse que mal consigo... Ver." — a situação foi inusitada o suficiente para tirar as palavras da "boca" do fênix. Quando finalmente transpassamos a linha imaginaria do corredor, o temporal findou bruscamente. Com clareza, era possível diferenciar onde começa e onde terminava a nevasca. O que, obviamente, não era um evento natural.

"Ali!" — apontei na direção do coelho – ahá, era realmente um coelho -, que corria campo adentro. Ah, só pra situar você: logo depois do corredor, havia um campo. Meio que um campo de soccer – sim, jogávamos soccer em Summer Memory – desenhado no concreto, feito para a diversão das crianças. Claro que, porém, não haviam crianças. Não havia nada, na verdade, só a pouca luz da lua e da minha esfera de chamas – que eu fiz questão de apagar logo que percebi sua desnecessidade. De qualquer maneira, segui o coelho.

O animal cruzou o meio de campo, e depois virou a direita ao adentrar a pequena área. Ela sabia algum caminho, já que se movimentava para uma das saídas do "campinho" – uma que levava à outra serie de corredores, esses menores, que por sua vez levavam às salas de aula e à direção. Continuei a seguir o animal, só parando quando captei outra presença com minha empatia. Me esgueirei contra um dos muros, tentando ocultar minha presença. Com a mente, avisei o fênix para que fizesse o mesmo. Logo que a presença sumiu, focalizei minha mente para encontrar – uma vez mais – o coelho.

Andei pelos corredores – buscando ser o mais silencioso possível -, ainda atento a qualquer emoção – ou rastro de. Mas não havia nada – claro, nada além daquela presença, a qual eu optei por me esconder. "Aquele não é um coelho comum. Ele parece estar vazio, não captava nada concreto dele." — falei para o fênix, com a minha mente, ainda andando pelos corredores.

"Porque você esta tão focado no coelho?"

"Ele é uma anomalia em tanto. Nunca encontrei algo parecido" — Parei por um segundo: a presença – aquela de antes – estava se aproximando. A sensação de calma permanecia, o que me fez imaginar que ele – ou ela – estava fazendo uma espécie de "ronda". Abri uma das portas de sala – outra vez, com o máximo de silêncio que a situação permitia – e entrei na sala. "Coelho esquisito e bolha climática, posso apostar que a Deusa nos enviou aqui para resolver o problema de Summer Memory. Para lidar com esse clima maluco."

"Richard, teoricamente, ela enviou você. Sou apenas seu guia. E quanto ao propósito da missão, não cabe a mim opinar."

"Humpf." — reclamei, ainda que mentalmente, já abrindo a porta da sala – afinal, dava pra sentir a presença virando a esquina do outro corredor, se afastando dali. "Não é por isso, então." — continuei, andando agora pelo corredor que levaria às salas da administração. "Juro que não entendo o porque desse mistério todo. Conversa empática, casa antiga, ave de fogo. Um bate-papo honesto seria muito mais vantajoso."

"Os sonhos dos deuses são..."

"Impossíveis ao olhar dos homens. Eu sei, eu sei." — completei, chegando ao final do corredor. De acordo com o que eu me lembrava, mais adiante estava o ginásio. Nas salas da administração, eu poderia encontrar a sala do próprio diretor. Sei lá, vai ver fosse um bom lugar para investigar. "Porque a Deusa te enviou como meu guia?"

"Ela costuma designar nós, fênix, a determinados mortais. Como parte... Richard?" — O fênix parou, ao perceber minha expressão. Um pico – um único pico – de desespero havia disparo, em algum lugar. Não, na verdade, não qualquer lugar. Pelo que eu me lembrava da planta da escola, no ginásio.

Comecei a correr de imediato. Afinal, a emoção que eu senti – aquele desespero – chegava a ser... Contagiosa. Senti uma ponta de desalento de alastrando em mim, um início de desesperança. Não era normal uma reação assim. Normalmente, para ser infectado com tamanha intensidade, eu tinha que exposto ao sentimento por muito tempo. Um pico daquela magnitude era angustiante.

"Richard!?" — perguntou o fênix, me seguindo enquanto eu cruzava o corredor a passos largos – correndo, actually. Ignorei-o por um tempo, eu estava mais concentrado em minha empatia. Quanto mais me aproximava do ginásio, maior se tornava a sensação de uma terceira presença – ou quarta, se contarmos o coelho. Ainda diferente daquela que rondava os corredores – ou daquela que havia emitido o pico de desespero. Essa nova presença projetava curiosidade, cobiça, até mesmo felicidade.

Microssegundos antes de cruzar a entrada do ginásio, senti outro pico de desespero. E depois, um pico de dor. Logo, não eram mais picos. Todo o tipo de emoções pesadas, negativas, cruzavam o ginásio. Acelerei o passo, e então senti a pior de todas. O sentimento que precede a morte, a última coisa que um ser sente antes do fim. Apatia.

Eu estava próximo ao degrau mais alto das arquibancadas. No ginásio – no campo, a parte mais baixa – duas das presenças que eu havia sentido. Um garoto, talvez onze ou doze anos, deitado no chão – a apatia vinha dele. Ajoelhado ao seu lado, um homem adulto, extremamente magro. Ele estava com as mãos na cabeça, tremendo. Contudo, não tremendo de dor. Tremendo de felicidade. Quanto mais a criança crescia em apatia, mais feliz ficava o ser magricela. Eu podia sentir, com a minha empatia. Ele estava... Ele estava... Devorando a mente do pobre garoto, se deliciando com as memórias e emoções do garoto. Senti o nojo crescer dentro de mim, e não me preocupei em conter minha raiva.

Desci os degraus da arquibancada a passos largos, o mais rápido que pude. Apoiei o braço no guarda-corpo – aquela mureta, que impede que as pessoas caiam no nível inferior -, jogando meu corpo por cima. Tal como eu já havia treinado tantas outras vezes, executei um rolamento ao tocar o solo – projetando o corpo para frente e distribuindo o peso. Quando levantei, expeli chamas pela mão direita, invocando minha espada de bronze celestial. Gritei com a minha mente e com a minha voz, chamando a atenção do homem. Quando ele se virou, porém, já era tarde demais. Minha espada já estava em trajetória, transpassando sua coluna.


——————————————————————————————



Puxei a espada, jogando o corpo para o lado. Me ajoelhei, aproximando meu ouvido do peito da criança – para tentar ouvir seus batimentos. Eram lentos, cada vez mais fracos. Tirei meu casaco, cobrindo seu corpo com ele.

"Você consegue...?" — perguntei para o fênix, que voava em nossa direção.

"Posso tentar." — disse a ave, em pensamento, batendo suas asas de fogo sobre o corpo da criança. Logo ele esticou seu pescoço, projetando a cabeça para frente. Uma lágrima escorreu em meio as penas alaranjadas e as labaredas vermelhas, pingando sobre a boca semi-aberta do infante semi-morto. Quase que ao mesmo tempo, senti um rugido se aproximando. Uma mistura de prazer, raiva, agressividade. Muito próximo, provavelmente a outra presença, que havia chegado no ginásio sem que eu percebesse.

Movimentei a cabeça e o corpo ao mesmo tempo, abrindo os braços e me posicionando a frente do corpo da criança. A presença – agora pude ver que era um homem, um tanto quanto familiar -, havia esticado algo que parecia com uma espada. Do metal, um jato de chamas negras surgiram, cruzando o espaço na nossa direção. Recebi a profusão de chamas em meu peito, absorvendo-as completamente – o que, infelizmente, queimou a maior parte da minha camiseta.

Recolhi o broche do chão – um dos presentes de Héstia, de quando fui "reclamado" -, posicionando-o sobre o meu peito e inflamando-o – invocando a couraça de bronze. Me ergui, encarando a figura de longe. Ela ficava cada vez mais familiar.

— Você!! — Gritou o homem. "Mas é claro...", pensei, logo que o reconheci. Era o mesmo velho-zumbi que encontrei em minha missão do orfanato em Boston. Um cavaleiro da morte.

— Richard Rider, é o nome. — falei, enquanto ele descia os degraus da arquibancada, vindo em minha direção. — Mas pra facilitar, pode me chamar de Nova! — gritei, enquanto corria em sua direção, arremessando bolas de fogo no momento em que ele pulava sobre a mureta de proteção.


——————————————————————————————



O cavaleiro recebeu em cheio as bolas de fogo – somente fechando os braços em forma de "x" sobre o peito. Como resultado, ele "pousou" ainda desequilibrado, o que eu aproveitei. Abaixei a mão esquerda, liberando uma língua de chamas amarelas sobre os pés do cavaleiro. Ao mesmo tempo, diminuí a distância entre nós, ficando próximo o suficiente para acerta-lo. Ergui a espada flamejante, cortando na direção da cabeça.

Porém, em resposta, ele não se mexeu. O fogo amarelo atingiu suas pernas em cheio – queimando tecido e pele -, enquanto o cavaleiro erguia a própria espada com a mão direita para barrar minha ofensiva. — Eu já estou morto! O dano que você me causar é inútil. — ele gritou, atingindo meu peito com o ombro, para me afastar.

Dei alguns passos para trás, logo retomando o equilibro. O cavaleiro avançou, com sua espada erguida. Joguei um jato de fogo contra seu braço direito – mas ele havia desviado abaixando o braço, e curvando o ombro um pouco. Desci a espada em sua direção, mas fui bloqueado. Agora, em uma ofensiva do cavaleiro, ele havia atingido meu ombro – fazendo com que eu cambaleasse. Em seguida, ele atinge a lateral do meu estômago – mesmo que a couraça tivesse bloqueado o fio da lâmina, o impacto ainda fez com que eu perdesse o equilibro, tropeçando para a direita. Finalizando, o velho atinge meu fêmur, determinando minha queda.

Logo que toco o solo, ativo a proteção de minha couraça. Um poderoso círculo de fogo surge ao meu redor, atingindo o cavaleiro. Ele imediatamente grita de dor, se afastando. As chamas atingiram seu braço esquerdo, consumindo a carne. Aproveitei a chance para me levantar – com um pouco de dor na perna esquerda.

— Qual seu nome? — perguntei, enquanto recuperava o fôlego.

— Não importa. — ele falou, avançando logo que o círculo de fogo desapareceu. Sua espada, agora, veio por baixo – como se fosse desenhar uma meia-parábola. Girei o corpo, desviando da lâmina, já posicionando minha própria espada para atingir seu estômago. Contudo, o velho agiu rápido. Com a mão livre – e semi consumida pelas chamas – ele segurou meu antebraço direito, impedindo a espada flamejante.

Movi a outra mão com velocidade, atingindo o antebraço danificado do cavaleiro com um soco. Senti o rádio e a ulna quebrando, ao mesmo tempo que as sinapses do velho-zumbi identificavam a dor. Essa distração diminuiu sua resposta, permitindo que eu previsse parte do fluxo de seus gestos. Notei que seu pescoço havia sido projetado para frente – tentando me atingir com uma cabeçada. Recuei minha cabeça, desviando. Continuei o movimento o braço direito – já que, com seu antebraço quebrado, ele não continuou a contenção -, atingindo a lateral do estômago do cavaleiro com o cabo da espada.

Como uma dança bem coreografada, o velho-zumbi ainda fez questão de conduzir. Ele pareceu ignorar a dor da pancada no estômago, erguendo o braço direito e me atingindo na garganta – agora, com o seu cabo da espada. Aproveitando a chance, ele jogou o corpo na minha direção, levando nós dois ao chão.

No caminho para a queda, segurei com força minha espada flamejante. Quando toquei o solo, projetei uma explosão de chamas ao redor do meu corpo – mas, uma vez mais, o cavaleiro preferiu ignorar a dor. Aliás, ele continuou atacando. Levou sua espada negra em minha direção, provavelmente tentando atingir meu pescoço. Puxei minha mão direita para perto do rosto, barrando o fio da lâmina negra com minha lâmina de bronze e empurrando a mão do velho com a mão esquerda. Por um momento, pude olhar para o rosto do velho-zumbi com atenção. O traço marcante, uma larga cicatriz diagonal acima do olho esquerdo. Ele era familiar, ainda que de uma maneira que eu não conseguia entender.

Não foi necessário que eu contivesse sua lâmina por muito tempo, já que um outro alguém havia se intrometido em nossa luta. O tal devorador de mentes, que eu pensei que havia matado – costumo esquecer que um monstro morto vira poeira -, estava agora me atacando. E com tudo o que tinha, já que parte da ofensiva estava atingindo o cavaleiro.

— Pare! — gritou o cavaleiro, em dor, rolando para o lado. Eu, por minha vez, não consegui fazer muito. Levei as mãos à cabeça no mesmo tempo, atordoado pelo ataque surpresa.

Senti minha consciência se perdendo, enquanto uma nuvem de memórias tomava minha atenção. Continuei relembrando o passado, mais especificamente o dia em que minha família foi morta. Voltei a tenra idade, vendo uma vez mais pelos olhos de quando era criança.

Aos poucos, o cheiro fétido foi invadindo a lareira, junto à luz da sala. Alguém – que vinha a passos largos – abria a portinhola bruscamente. Por um segundo, a diferença de luz fatigou meus olhos. Esperei encontrar aquela criatura bizarra que havia atacado meus pais, aquele monstro. Mas quando olhei era somente um homem. Um homem assustador, sim, mas não um monstro. Ele me ajudou a sair da lareira, tentou me acalmar. Claro que eu reagi o pior possível. Comecei a me debater, tentando fugir. Não conseguia entender que ele só queria ajudar. Contudo, ele ela forte, e não deixaria que eu corresse para o primeiro andar, para meus pais – e para o monstro. Mas tinha que sair dali. Eu tinha. Me debati, tropeçando e caindo contra a parede da lareira. Estiquei uma das mãos para trás, alcançando algo metálico. As lágrimas continuavam. A visão ficou turva. O homem se aproximou uma vez mais, tentando me acalmar. Tentando. Agarrei o objeto metálico com força, e tencionei o braço. A cabeça de um martelo atingiu acima do olho esquerdo do desconhecido, pintando uma linha diagonal de vermelho-sangue.

— Não! — gritei em dor, reagindo à memória a muito intocada. Me coloquei de pé, guiado somente pela empatia. Meus outros cinco sentidos pareciam não funcionar, talvez sobrecarregados pelo ataque mental. — Ele é…!— Mal conseguia formar frases completas, tamanha a carga de dor. Com dificuldades, consegui ficar sobre os dois pés. Buscando em meio às poucas emoções do espaço, encontrei o padrão de felicidade e prazer. O devorador se banqueteava com ambas as memórias – as minhas e as do cavaleiro da morte -, mas também estava em dor. A estocada pode não ter sido imediatamente fatal, porém, hora ou outra, ele iria morrer. Aquilo ou era pura vingança, ou uma tentativa de perecer – de algum modo – “feliz”. Ele quase lobotomizou uma criança. Eu não deixaria que ele morresse “feliz”.

Guiei minha mente pelas emoções de deleite do devorador, invocando uma piscina de chamas rubras. O fogo não causava dano visível. Ele atacava principalmente os órgãos internos, ainda que de uma maneira psicológica. Um grito telepático de dor ecoou pelo ginásio, e eu não consegui me manter me pé. Caí de joelhos, empurrando o chão com as mãos para tentar estimular minha consciência em meio ao berro agonizante.

Forcei meu corpo a se aproximar do devorador, a medida em que o urro diminuía. Por mais que eu enojasse o que ele havia feito com a criança – e quisesse que ele sentisse um mínimo disso -, não podia ignorar o cavaleiro. Quando já próximo o suficiente, estiquei as mãos sobre o monstro. Filetes de chama esverdeada transpuseram a pele esbranquiçada, pouco-a-pouco sugando o resto de energia que o devorador tinha, por fim levando-o à inconsciência.

Agora, sem qualquer interferência externa, eu já podia ficar de pé sem qualquer estresse mental. Vasculhei o lugar com a visão, percebendo minha espada caída alguns metros à direita.

— Vocês estavam torturando uma criança! — gritei, correndo na direção da espada.

— Você realmente está buscando moralidade… De mim? — disse o cavaleiro, levantando  apoiado em sua espada. — O frio já esta invadindo o ginásio — ele continuou, erguendo a lâmina em posição de combate — Maldição, garoto! A nevasca era imprescindível! Você atrapalhou minha missão pela última… Vez.

Quando terminou, o velho galgou os poucos metros em minha direção. Sua espada estava esticada, como um convite para tocar metal com metal. Girei minha lâmina de bronze paralelamente ao meu corpo, para desviar o ataque. Contudo, era exatamente isso que o cavaleiro esperava. Movendo o pulso em sincronia com minha defesa, ele impediu que as lâminas se tocassem – como se o bronze e o ferro negro possuíssem polos magnéticos iguais, sempre se repelindo.

A batalha continuou como uma dança. Após impedir o impacto das espadas, o velho girou o corpo na direção oposta – levantando o cotovelo do braço da espada, atingindo meu braço direito, na altura do bíceps. Cambaleei para a esquerda, torcendo o tronco para colocar a espada em posição de defesa. Mas, ainda assim, o cavaleiro foi mais rápido, levantando a perna direita e empurrando meu corpo com um “pisão” no peito.

Fui levado ao chão imediatamente, escorregando pelo piso bem polido do ginásio. Ainda confuso pelo ataque surpresa, dobrei os braços a frente do corpo – como um "x" -, já pronto para criar uma explosão de chamas e luz. Mas isso tudo, claro, quando viesse o segundo ataque do cavaleiro. Ou, talvez, se viesse.

Quando foquei minha visão no velho, percebi que ele se encontrava em um estado de perturbação. Outra vez, ele levava a as mãos à cabeça – em extrema dor. Varri o local com minha empatia, procurando sinais de consciência do devorador de mentes – o que não encontrei. Aparentemente o velo-zumbi ainda sofria da interferência mental, só que de uma maneira... Espontânea.

— Não sei que tipo de jogo é esse... — comecei a falar, me erguendo — Mas não vou pegar leve. — avancei contra o cavaleiro, com um dos braços esticados, emitindo três esferas de fogo. Cronometrei meus passos, preparando o ombro direito para acertar o peito de meu adversário no instante seguinte ao que as bolas de fogo o atingiriam. Dobrei o tronco para baixo, alguns graus, pronto para jogar todo o peso do meu corpo com o impacto. Mais de oitenta quilogramas de força investidos para o alto e para frente – para que, ao fim, as costas do cavaleiro atingissem o chão.

Era momento de finalizar a batalha, acabar com o inimigo. Deixar a adrenalina fluir pelo corpo, deixar o instinto tomar controle da situação. Girei o punho da espada flamejante, apontando sua ponta afiada contra a garganta do velho-zumbi. Senti o bíceps se contrair, a respiração parar. Parecia que nada poderia me impedir de transformar o cavaleiro em pó negro. Contudo, era uma aparência somente. Minha empatia, antes do movimento final ser realizado, captou o único sentimento que eu não esperava sentir. Nostalgia. Pode parecer estranho, falando assim – ou escrevendo -, então vou explicar melhor.

Senti um grupo muito específico de emoções, uma malha comumente referida como nostalgia. Uma mistura de doses de felicidade, melancolia. Logo, não era só a nostalgia. Uma torrente de medo, ódio, remorso. Foi como se todo o "padrão emocional" do cavaleiro estivesse em radical mudança, como se ele alternasse entre duas personalidades diferentes.

Me afastei, aturdido pela confusão dele. Esse "liga e desliga" de sentimentos era uma experiência pela qual eu nunca havia passado, e estava saturando meu "sexto sentido". Tente imaginar isso como um trem passando no cangote do demolidor – se você for um leitor de quadrinhos -, ou um holofote à cinco centímetros de seus olhos – se você fizer vídeos para o Youtube. O que só piorava a situação era a impressão – aquela de antes, de que eu achava o velho familiar -, que crescia a cada fragmento de emoção vindo do velho.

— Você... Está fazendo isso? — disse o cavaleiro, entre palavras, enquanto se levantava com dificuldade.

— Quem realmente é você? — perguntei, ainda com a espada em punho, preparada.

— Você... Richard... — sussurrou o velho, cambaleando para trás, se apoiando contra uma das paredes do ginásio. — Não... — continuou, levando as mãos à cabeça outra vez. Agora, porém, notei que a sombra da parede estava distorcida. Ela começava a ganhar um aspecto em três dimensões, dançando ao redor do corpo do velho-zumbi. — Não! — gritou, uma última vez. Projetei um jato de chamas na direção da obscuridade, mas já era tarde demais. O velho cavaleiro havia desaparecido, perdido em meio à dimensão de sombras.

Fiquei ali, parado, por alguns segundos a mais. Conjecturava sobre os últimos momentos. "Quem era aquele homem?", era a pergunta mais frequente. O que me tirou do transe foi um padrão de dor, um novo padrão. Virei o pescoço, constatando que a criança estava se recuperando melhor – ele ainda ser capaz de sentir dor, por exemplo, já era um ótimo sinal. Reconheci um segundo padrão – esse, mais familiar. O coelho estava ao lado da criança, tentando se aconchegar embaixo de seu braço.

"Obrigado." — falei para o fênix.

"É o meu trabalho, acredito." — E eu larguei meu peso ao lado da criança, sentando. "Alguma coisa o incomoda?"

"A Deusa." — respondi "Ela não me mandou aqui para salvar Summer Memory. Por melhores que sejam as lembranças que eu vivi aqui, essa cidade deixou de ser meu lar quanto meus pais morreram."

"Interessante." — ele comentou "Então, onde é seu lar?"

"É isso que me incomoda." — comecei, estalando os dedos e acendendo uma pequena flama na ponta do polegar direito "Já te contei algumas coisas da minha história pré-Acampamento. Desde Rocky nos traiu, desde o grupo se desfez... Acho que não tenho tido um lar por muito tempo."

"Então, talvez seja isso que ela quer para você. Talvez ela queira que você ache seu lar."

"Pode ser, pode ser..." — terminei, com um suspiro, ao perceber o jovem abrindo os olhos. "Mas, primeiro, vamos arrumar um lar para esse aqui. Vamos leva-lo para o Acampamento."


——————————————————————————————



Voltar, porém, não foi com uma rápida viagem pelas chamas. Tive que andar muito por Summer Memory, até achar uma dríade – que, por sua vez tinha contato com um sátiro. Esse sátiro informou o Quíron, que mandou um outro sátiro – ao menos, foi o que me disseram – pra nos buscar. Quanto ao "nós", dessa última sentença, eu já me referia ao garoto e eu – o fênix disse que sua missão havia acabado, e ele deveria regressar para a companhia da Deusa. Cheguei ao acampamento só na noite do dia seguinte, exausto e cansado. Mas, ainda assim, fui intimado a reportar ao diretor de atividades o porquê eu sumi no meio da noite e reapareci com um jovem semideus.

— [...] o plano deles era usar o filho de Despina para criar a zona climática bizarra em Summer Memory. Já o porquê, não sei. Provavelmente para chamar a atenção da deusa do inverno. Não sei que outro uso a organização daria para um desastre assim. Mas aqui o rapaz vai poder ficar seguro. Ele e seu coelho esquisito. — Quando eu me refiro à "organização", é o mesmo grupo que eu havia encontrado tantas vezes antes. Uma associação de semideuses e monstros – bizzaro, eu sei – que busca, além de muitas outras coisas, poder. Rocky – sim, meu antigo companheiro – até mesmo se bandeou para o lado deles, traindo o grupo durante um roubo na Noruega. Mais recentemente, acabei estragando o disfarce de um semideus – Tom Gordon, filho de Hades -, durante uma missão de resgate em um orfanato em Boston. — De qualquer maneira, matei o devorador de mentes. Mas o cavaleiro da morte... Fugiu — resolvi emitir toda a parte de "tem algo de errado na história, tenho uma forte impressão que conheço o cara". Eu não tinha como ter certeza, de qualquer jeito. Até onde eu sabia, ele era um inimigo. E se eu o encontrasse uma terceira vez, pode ter certeza de que não haveria uma quarta.


——————————————————————————————



No mesmo instante em que eu estava em Long Island, explicando a situação para Quíron, um homem estava parado em frente à casa dos meus pais em Summer Memory. Os cabelos brancos balançavam com o vento – sem a criança para criar a nevasca, poças de água já se formavam na terra úmida e a brisa voltava a sua temperatura morna -, e uma espada negra repousava no coldre da cintura. Uma larga cicatriz pendia sobre o olho esquerdo, em um ângulo diagonal.

O velho observava a casa com um olhar cansado, dolorido. Seu corpo já estava se recuperando de um combate passado – em seu estado de meia-vida, suas células se regeneravam de uma maneira completamente diferente -, enquanto sua mente ainda sofria de danos severos. Aquele era um dos poucos momentos de lucidez – também caracterizada pela falta de enxaquecas – nas últimas horas. Sua consciência remoia memórias antigas, de uma época há muito esquecida.

A principal, remetia àquela casa. O velho recordou seus passos calmos, subindo degrau por degrau a escadaria de madeira. Andou – em sua imaginação – pela sala de estar do segundo andar, seguindo os sons de uma respiração pesada. Se aproximou da lareira, puxando a portinhola escura para cima. Ele forçou sua melhor expressão de simpatia, cumprimentando a criança que se escondia em meio ao carvão.

A criança, claro, era eu. O homem que havia me salvado, era o velho.

É, pois é.

"welcome to the nova corps 2.0" – by anxes, handmade for role-playing with "richard n. rider"

OFF TOPIC


Ufa. Sei lá. Vixe. Diagramando com sono, fogo -q

Pra todos os efeitos, o Cavaleiro da Morte foi, um dia, um semideus. Filho de Hades.

ADVERSÁRIOS


Devorador de Mentes - Os devoradores de mentes utilizam seus incríveis poderes psíquicos para despedaçar a mente de seus inimigos. Depois que seus inimigos estão inconscientes, eles abrem seus crânios e devoram seus cérebros. Nem todas as criaturas que cruzam o caminho de um devorador de mentes terminam como comida; algumas são aprisionadas, enquanto outras são transformadas em escravos obedientes. Este devorador de mentes utiliza sua furtividade natural para se aproximar de suas vítimas sem ser visto e em seguida libera sua rajada mental. Entre os inimigos atordoados, ele escolhe alguém para atacar com seus tentáculos enquanto recorre ao poder seguir os inconscientes para evitar ataques. Se conseguir agarrar uma vítima com seus tentáculos, o infiltrador emprega o poder perfurar o cérebro até que a vítima morra ou consiga se libertar. [Ele estava "controlando" o jovem filho de Despina, utilizando a conexão dele com o inverno pra zoar as nevasca em Summer Memory. Apesar do monstro ser quatro estrelas, não houve realmente uma "batalha" entre eles. Richie já pegou ele de surpresa, e ele já iria morrer em decorrência do ferimento ao atrapalhar a luta do protegido com o cavaleiro]

Cavaleiro da Morte -Cavaleiros da morte foram guerreiros poderosos que aceitaram se tornar mortos-vivos por toda a eternidade para não terem que enfrentar o fim de sua existência mortal. Com suas almas ligadas às armas que empunham, eles comandam poderes necróticos que se somam à capacidade marcial de outrora. Este cavaleiro da morte usa golpe contensor e desafio de combate rodada após rodada. Se seus aliados estiverem sofrendo muitos ferimentos, ele emprega desafio do guerreiro para atrair os ataques, gastando um ponto de ação para usar retomar o fôlego se necessário. O cavaleiro da morte utiliza chamas profanas quando estiver rodeado por vários aliados e inimigos. [Foi contra ele a batalha]

MASACOTE


Fênix [Filhote // Nível 01 // 100 PV // 100 PR // 0 L // Uma ave de fogo, com penas brilhantes e douradas, do mesmo tamanho que uma água. // Bicar, garras, voar. // As lágrimas de uma fênix curam as feridas de quem é tocado por elas. Metade do PV máximo do semideus] RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA

ARMAS USADAS


Espada Flamejante [Bronze Celestial // Espada forjada em bronze celestial com a lâmina alaranjada. Possui a capacidade de se transformar em um anel quando não está em uso. Sua lâmina é encantada, permitindo que a arma entre em combustão instantânea, cobrindo-a com fogo e potencializando o dano // Presente de reclamação de Héstia]. RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA
Couraça [Bronze Celestial // Peitoral de armadura forjado em bronze celestial, disfarçando-se de um pequeno broche com o desenho de uma chama quando não está ativado. Possui a capacidade de, uma vez por missão, criar um círculo de fogo ao redor do semideus que derrete tudo que se aproxima, inclusive metais mais fracos que o da própria couraça. Não derrete bronze celestial ou ferro estíge, mas queima também a pele humana devido ao calor // Presente de reclamação de Héstia]. RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA


Espada Negra [Ferro Estíge // Espada forjada em ferro estíge. Lâmina de coloração escura, tal qual o cabo de madadeira]. VELHO-ZUMBI, CAVALEIRO DA MORTE

PODERES USADOS

[Nível 03] Empatia – Os protegidos de Héstia possuem uma sensibilidade no sentido de sentimentos, portanto, são capazes de perceber as emoções e sentimentos de todos ao seu redor com apenas um olhar. [RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado praticamente em todos os momentos]

[Nível 10] Pirocinese – Os protegidos de Héstia possuem a habilidade de controlar as chamas. [RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “Projetei um círculo de luz e chamas”, "expeli chamas pela mão direita", "projetei uma explosão de chamas ao redor do meu corpo" e "Projetei um jato de chamas"]

[Nível 06] Imunidade ao fogo – Os protegidos de Héstia são imunes à altas temperaturas, nunca sofrerão queimaduras e terão imunidade completa ao fogo. [RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Visto em todos os momentos em que Richie cria/manipula fogo]

[Nível 19] Absorção de Fogo – Os protegidos de Héstia poderão absorver as chamas do fogo através do toque, desde que este não seja criado por si mesmo e com isso, curará 50 de PV//PR//PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em " arremessando bolas de fogo" e  “ emitindo três esferas de fogo”]]





[Nível 10] Bolas de Fogo – O protegido de Héstia poderá criar três bolas de fogo com a mão e atirá-las como quiser no inimigo, todas de uma só vez ou não. O dano será por queimadura.
Gasto: 50 PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em " arremessando bolas de fogo" e  “emitindo três esferas de fogo”]

[Nível 13] Língua de Fogo Amarelo  – O protegido de Héstia poderá manipular e criar a chamada chama amarela, este, por sua vez, tem um dano mais alto por ser a mais quente de todas. Através disso, o protegido dará forma a  uma língua de fogo, que ao encontrar no inimigo, causará sérias queimaduras.
Gasto: 65 PM.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “ liberando uma língua de chamas amarelas]

[Nível 16] Labaretas Fantasmas – O protegido de Héstia poderá criar fogo vermelho e manipulá-lo, este, por sua vez, será criado abaixo dos pés do inimigo e seu objetivo e a cada turno, subir mais pelo corpo, até a cabeça. É uma chama menos intensa e mais sutil, mas o calor que produz é capaz de penetrar no corpo, dando uma sensação de queimação interna.
Gasto: 50 PM por turno.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “ invocando uma piscina de chamas rubras”]

[Nível 22] Chamas Verdes – O protegido de Héstia poderá criar filetes de chama de coloração esverdeada, esta é fraca em sua intensidade e seu poder de queimação é mínimo. Seu dano é alto pelo fato de que a chama verde interfere na energia do usuário, sugando-a. O inimigo terá uma redução de 70 PR e PM por turno.
Gasto: 70 PM por turno.
[RICHARD, PROTEGIDO DE HÉSTIA | Utilizado em “Filetes de chama esverdeado”]





[Nível 18] Transporte pelas Sombras – O filho de Hades, quando estiver em qualquer sombra, poderá transportar-se por meio da mesma, o local em que chegará deverá também estar em sombra.
Gasto: 5 PM/metro.
Evolução: Gasto fixo de 100 PM em longas distâncias (cidade à outra) e 50 PM em curtas distâncias (na mesma cidade)
[VELHO-ZUMBI, CAVALEIRO DA MORTE | Utilizado em “ O velho cavaleiro havia desaparecido”]






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Mensagem por Poseidon em Qui Abr 16, 2015 4:00 am

1. Comentários


Richard

Sua missão foi muito bem escrita, rapaz. Mais de seis mil palavras... É difícil manter a atenção de quem lê quando um texto é muito grande, mas você conseguiu. Não se focou muito na introdução, de como foi seu dia antes da missão, etc, etc, conforme sugeri, pois seria algo que eu odiaria ler. Não envolvi a trama do seu personagem à toa com a missão, eu não queria ver “apenas” combate, você misturou combate com trama pessoal e trama da missão e mandou muito bem.

Entretanto, senti que o combate com o devorador de mentes foi muito básico. Você se focou muito com o Cavaleiro. Em três linhas de duelo, praticamente, você já tinha “transpassando sua coluna”; No seu arsenal, você citou o seu mascote fênix, mas no final da missão deu a entender que a fênix pertencia à Héstia e voltou para deusa. De qualquer forma, não haverá desconto na SUA xp sobre isso, mas sim na da fênix – que não pareceu um mascote filhote, indisciplinado, etc.

2. Premiação


+185xp pra você
+10xp pra mascote
+ 80 dracmas
+ 11 de fama ( 2 de fama por completar a missão, 5 por resolver todo o problema climático das redondezas, 4 por trazer um semideus em segurança para o Acampamento)

Obrigado por ressaltar onde você usou poderes, ajudou pra caramba :D

DESCONTOS
- 200 de PM (pelo uso excessivo de poderes)
- 120 de PV
- 60 de PR


Atualizado por Afrodite
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R
A
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Deuses
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